quinta-feira, 19 de maio de 2005

penumbra

gosto da casa em ordem. gosto de algum silêncio à noite. gosto de vinho tinto e A.lucinações verbais acompanhadas de velas e qualquer divertimento para o paladar.
gosto de frases iniciadas sem maiúsculas, imensas, sem fôlego - do jeito mesmo que costumo falar nas não poucas horas eufóricas. gosto de pinhão no sal, de usar o cálice diferente do dela, de acomodar as almofadas próximas ao baú antigo. gosto de afundar no sofá com a música ali ao nosso alcance. gosto de A.fago no cabelo quando ela deita no meu colo e escutamos a chuva que insiste. gosto de fazer surpresa com o arranjo de rosas e o cheiro de bolo, e minhas letras amontoadas por necessidade vital e vaidade.

esses tantos gostares fazem menor a importância de tantos dias sem sol, que trazem mofo até à cor dos caracteres...

Um comentário:

Anônimo disse...

Lindo! impressiona-me a descrição de coisas boas em coisas igualmente boas de ler.