O post de hoje chamar-se-ia Ode ao Lorenzetti, mas um puta prejuízo, além do frio e da raiva e da sensação de impotência me fez desistir dos enfáticos elogios ao chuveiro novo. Friso apenas que o seu papel na qualidade do meu humor neste sábado gelado pode ter amenizado a dor e a revolta de ter coisas queridas - e mui dispendiosas - roubadas em plena tarde numa rua razoavelmente movimentada. O infeliz que se cortou para arrombar o vidro não precisou mais que a conivência do flanelinha e a segurança de impunidade para levar minha estimada pasta (lindinha, de couro marrom) com uma penca de relatórios; um palm com registros da minha vida toda - trabalho, obra e todos os telefones e endereços importantes - seu teclado e carregador; meu JVC baleado com um CD que gravamos antes de sair especialmente para o clima alegre que o amor matinal despertara; um estojo cheio dos meus CD´s preferidos - e alguns de A. também; minha mochila vermelha (adorada!) com meus sapatos de flamenco, castanholas e falda de baile - leia-se saia imensa. Filho da puta!
Ano passado eu armei um barraco, por ali mesmo na redenção, ao assistir um proprietário de carro recém-arrombado, como eu agora, ajudando um PM a espancar o adolescente responsável pelo fato. Fiz escândalo, pedi o nome do PM, ameacei, berrei e fiquei arrasada com a atrocidade, ainda que entendesse a indignação do sujeito que se esfola para pagar a porra do carro. Eu mesma já tinha passado pela situação duas vezes. Não aceitava, porém, o representante do estado, agindo daquele jeito.
Não, eu não mudei de idéia. Continuo não aceitando que a lei, responsável(?) pela ordem precária em que fingimos viver. Mas juro, quando chegamos ao carro e o vi arrombado e percebi a falta da pasta - e seu conteúdo (!!!) - o ímpeto era correr atrás do desgraçado e descer o cacete. Com muita raiva, com toda a violência que habita qualquer ser humano.
Depois chorei. Chorei a raiva e a perda e o prejuízo (caralho! somando tudo quase 3 paus!). O boletim de ocorrência na 10ª DP, todos educados e absolutamente impotentes. Mais choro. E muito frio, porque o vento tava de doer... e aquela janela escancarada em cacos de vidro!
E depois tudo, eu que não me entrego, vidro consertado, seguro acionado para amenizar ao menos o desfalque do som, o CD da Zélia na bolsa (A.mor meu comprou de presente!)e uma praga feroz: que o canalha bacaninha que comprar meu palm por 500 pratas seja infeliz e brocha pro resto da vida!
E agora um Cousiño-Macul, Cabernet Sauvignon 2000, porque se de fora ninguém pode, eu por dentro é que não vou me derrubar.
E, para aproveitar... eu confesso: Guaíba tem a melhor vista de POA que eu já vi da terra. Risos!
sábado, 23 de julho de 2005
cada um por si e deus contra todos
Postado por
Laura Paz
às
19:55
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3 comentários:
Credo, que coisa horrível. Lamento muito por vocês. A sensação de humilhação e impotência é enorme. Já me aconteceram alguns episódios bem tristes, como um seqüestro relâmpago, e sei bem como a gente se sente quando invadido nas coisas que ama e que pensa serem nossa área privada.
Mas é isso aí, não podemos ser derrubados pela barbárie, nem nos tornarmos bárbaros. A vida segue e o vinho está aí para ajudar.
Adorei o final do post, é claro. Considerei um aceno alegre para mim em meio a um péssimo dia. Fiquei comovido. Muito obrigado e beijos.
E ontem, em plena festa fechada no Circuito, cinco minutos de desatenção fizeram "sumir" um casaco de estimação que custou muito, muito caro. E a festinha estava cheia de gente com um ótimo poder aquisitivo (pelo visto, o poder de adquirir - sem pagar, as coisas dos outros).
1122160698
Id comentário: 1756911
Nome: Maíra
WebSite: varaldepalavras.zip.net
Data: 25/07/2005 14:34:20
Email: não informado
IP: 201.32.206.7
Isso é mesmo revoltante. Já passei por coisa assim. Olhar para a casa que era minha e ver o vazio das coisas que eram minhas. Eu entendo a vontade de descer o cacete em quem fez isso, porque hoje, só de lembrar da sensação (e o prejuízo!), tenho vontade de avançar no primeiro indivíduo que passar pela frente, rs. Humano, pois, não é? Beijos...
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