sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

pressa

Os dias continuam tendo a mesma dimensão, ainda que burlemos a convenção que lhe atribuímos com o subterfúgio do horário de verão - que eu, particularmente, adoro, apesar do sono perpétuo que me acompanha nesse período.

Mas o ser humano parece ter decidido ignorar suas próprias dimensões. Gostei muito da argumentação do Milton sobre o texto do prof. Bosi. Concordo que o suposto antropólogo é obtuso e também não gosto da pedrada sem a proposta de outro ordenamento possível, mas não consigo evitar o olhar perplexo diante do que assisto nas ruas, nos comerciais de TV - e considere-se que assisto muito pouco qualquer tipo de programação televisiva - nos shoppings e nos retalhos de diálogo que capto por onde me desloco. Vejo as pessoas ensandecidas para comprar e vender e quase ninguém atento à inutilidade do adquirido (não falo somente da funcional, mas também da emotiva)versus o recurso que isso toma ao planeta.

Esclareçamos: não sou cristã, ou tento não sucumbir ao peso cultural de certos dogmas, mas preocupa-me o esvaziamento que vejo no consumismo e na futilidade. E para quê essa introdução toda?? Para que seja só isso mesmo, porque estou a preparar-me para aquela tal lista de intenções - que nunca fiz e não será desta feita que farei - para o ano que virá. Reflexiva e susceptível como quase todos nessa época.

Em suma: ô mundo doido, ô gente tão atrasada para tudo, ô falta de priorização para dar um oi mais interessado a um amigo. Será que silêncio e tranqüilidade são artigos em risco de extinção nessa loucura de mundo competitivo e ultra-mega-hiper-plus professional? Nada! O mundo não está perdido, nem nós estamos o tempo todo: uns minutos de conversa despretenciosa com pessoas próximas, ainda que não íntimas, faz bem pra caralho. Dormir também. Bom dia!

3 comentários:

Anônimo disse...

falta de significado emocional ou da necessidade do bem adquirido... Pois é. Esta época é um saco.

Um belo e inteligente comentário, principalmente na parte em que me elogias. Um beijo do engraçadinho cara-de-pau que já vai dormir. Boa noite.

Anônimo disse...

Eu concordo com o Milton. Essa época é um saco! as pessoas entram numa catarse que só passa depois do carnaval. Aí parece que "caem na real" e ficam gripadas durante todo o outono. Um beijo, menina! ótimas considerações sobre a época.

Anônimo disse...

Laura!
Acabei de mandar a foto que prometi. Beijo