quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Da laia do lama



Depois que deus fez a terra
Esculpiu no barro os ossos de adão
Retirou a parte mais bela
E fazendo a mulher inventou a paixão

Ao criar essa tal divisão
Fez o homem mover a engrenagem da história
Pra curar sua solidão e salvar sua helena de tróia

Mas se o homem é de barro
Cuidado com o andor, esse santo não pode quebrar
Já diria o provérbio de raro valor
Quem tem pressa vai devagar

Eu sou da laia, da laia, do lama
Da laia, da lama, do lado de cá
Mas tô muito afim dessa dama
Eu quero o nirvana agora, já

Fui descer ao porão da matéria
Beliscar alimento pagão
Revolver a humana miséria
Religar minha religião

Com os pés enterrados na lama
Busquei claridade na escuridão
Fiz o meu coração em pedaços
Colei os meus cacos e me sinto são

Mas se o homem é de barro
Cuidado com o andor, esse santo não pode quebrar
Já diria o provérbio de raro valor
Quem tem pressa vai devagar

Eu sou da laia, da laia, do lama
Da laia, da lama, do lado de cá
Mas tô muito afim dessa dama
Eu quero o nirvana agora, já

(Antônio Villeroy)

Um comentário:

Anônimo disse...

A música foi lindamente gravada pelo Villeroy, porém eu a conheci na voz da minha maravilhosa conterrânea Eliana Printes.
Chico Cesar é sempre bom de ouvir, em qualquer voz que seja. Feliz ano inteiro...