A ilustração de hoje não passou por nenhuma lente, não mora num apanhado de bites, não poderá ser salva ou impressa. Foi hoje cedo, mais cedo do que me agrada despertar, um pouco antes de estradas e ruas serem tumulto. Um tom corado roçando o limite entre o recorte da cidade e a bruma no banhado, aquela coisa indefinida que intermedia o contato entre os fatos e a precariedade da lucidez que se segue ao acordar precocemente. Ainda que singular, não solitária, vi a vaga rosada se fazer manhã intensamente alaranjada de vigor. Perdoáveis dispersões, desculpáveis desafinos, o trânsito, o transe da beleza debochando do compromisso, da jornada, dos dias úteis absurdamente gastos na produção. Não era hora de agir, senão de devorar o resto da doçura que o aconchego noturno depositara nas músculos e deleitar-se com a elevação dos matizes no céu.
Amanhã não é dia de trabalho e cada hora depois de vencida a distância, será para reproduzir ensolaramentos de riso na pele amadA.
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Fôlego
Postado por
Laura Paz
às
22:54
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3 comentários:
Amanhã a nossa cama ficará menor...e eu te amo e sinto saudade nesses dias de atropelos e rotas de fugas não suficientes.
Espero-te com fome.
Oi, gurias!
Faz dias que não consigo ver essa coloração no céu quando estou indo trabalhar. Dias nublados propícios ao recolhimento. Nada de terrível nisso.
beijos
Já tô sabendo que tem niver por aí...FELIZ ANIVERSÁRIO, LAURA!
Tudo de paz, amor e saúde pra vc!
beijos!
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