segunda-feira, 9 de maio de 2005

flor em dia de chuva

Semana passada a florista já não estava no ponto habitual, mas passei com a pressa de sempre e apenas registrei a ausência. Hoje ao ver seu posto ocupado pelas poças de água misturada com poeira de asfalto tive que descartar o pensamento "será que não se compra flores em dias de chuva?" porque o registro da segunda passada veio interromper-me.

Gosto de escolher as rosas mais pálidas para contentar o céu dos olhos amados antes de ir almoçar, mesmo quando a pressa me rouba a refeição. Não se trata de excesso de romantismo ou abnegação: plantar alegria no rosto dela me enche de uma satisfação toda pétala e banho perfumado. Mas hoje a florista estava noutro lugar, fora do meu caminho costumeiro. Quando acontecem coisas assim fico espichando minha imaginação até as possibilidades do existir alheio. Numas vezes surge um conto, noutras apenas uns momentos bons de desviar o olhar do umbigo.

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