sábado, 18 de junho de 2005

notas x poeticidade

Tempos atrás conversávamos - nós, as autoras do blog - sobre o modo como cada uma devora a música e concluímos que há diferentes apetites em questão. Na música brasileira, para ambas o paladar é atiçado com mais força pelo poder da palavra. Especialmente para mim que não sou leitora voraz de poesia, encontro em muitas letras de música uma possibilidade absoluta de beleza e tradução. As preferências oscilam, mas A. sempre acaba por escolher A Fábrica do Poema (a música) como um bom exemplo de obra prima nesse tipo de "refeição musical".

Fora da MPB afinamos também no uso de outros critérios, mas não os agruparia nos níveis citados pelo Milton porque dependendo da hora e do gênero ouvido, alternamos entre um e outro... e para fazer um parêntese sobre "bater pezinho", adorei o último CD do Arthur de Faria (Música para Bater Pezinho, que serve para qualquer audição, menos para a sugerida no título da obra).

Blues, por exemplo, seduz pelo ritmo. Jazz pelos acordes. Dentro de qualquer desses tipos musicais, há aquelas obras que impactam pelo timbre da voz, que tanto pode bater direto no estômago, como na pressão arterial, percorrer a epiderme como choque elétrico. Bem, disso poderíamos descrever uma modalidade fisiológica de ouvir música. Acho que é isso. Música é fenômeno que se infiltra no metabolismo.

Claro que também há aqueles sons moldados para as horas de relativa acefalia ou entorpecimento alcoólico, que nos levam a encarnar literalmente aquela primeira modalidade descrita pelo Milton. É o tal do pagode depois da quarta cerveja, a festa no apê junto com a terceira caipirinha e por aí vai.

Ah, e para não deixar sem um paralelo a modalidade emotiva... creio que ela se manifeste predominantemente quando se ouve qualquer tipo de música na TPM. Nessas fases é possível que se chore ao ouvir atirei o pau no gato. Aliás, tremenda sacanagem com o gatinho, não!?

Quem dá mais? Bem, nós agora vamos ouvir o tal CD do Arthur, que deu vontade. Nós e o vinho.

3 comentários:

Anônimo disse...

Obrigado pela citação e... sabia que a Claudia ouve Nina Simone a todo hora? O caso é dela é um típico My baby just cares for me... Acaba por me engordar.

Viste o filme Antes do Pôr-do-Sol, última cena? Hein, hein? Veja! Bom fim de semana!

Anônimo disse...

Gosto das vezes que escuto músicas e elas me traduzem no simples espaço em que fica guardado o silêncio de palavras impronunciadas.
obrigada pela visita.
bjos

Anônimo disse...

Para mim, a combinação perfeita se dá na mistura de uma letra bombástica com uma sucessão de dissonâncias. Mas enfim, como há muitas músicas em inglês de que gosto, é difícil conseguir concentrar isso em uma só canção. Eu ultimamente tenho ouvido bastante música lounge sem voz.