Mais que a água sob a ponte, havia uma outra divisa - perpendicular ao deslocamento fluido sobre a estrada. Era a borda densa e baixa do frio feito nuvem. Imensa placa cinzenta cobrindo Porto Alegre, estancada pouco depois das águas do lago, desfazendo-se em franja irregular para desvendar um azul quase incoerente com a temperatura. A sinuosidade asfáltica fazendo oscilar entre a pupila e a face o beijo das faíscas amareladas do sol indo deitar-se. E mesmo calada a boca, resta a força de Chico e Milton explodindo um som de muitos Watts no entardecer do dia devorado em sua inteireza.
E a noite?
O filete de lua, o negrume do céu, o estrondo das gotas largas correndo no telhado, luz baça e lúbrica da televisão silenciosa para iluminar indecências adocicadas sobre a lisura de vales e eriçamentos.
terça-feira, 9 de agosto de 2005
(p)REVISÃO DO TEMPO
Postado por
Laura Paz
às
21:06
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6 comentários:
É verdade, não existe outro jeito a não ser ir fundo,e, como diz Clarice, "apoderar-me dos desvãos de mim"...rs...Um beijo pra você também, querida.
Gurias!, fui prô jogo. Se ganharmos, sou pé-quente; se perdermos, faz de conta que fiquei em casa e a culpa é do Muricy. Tiau.
Lindo isso. Parece começo de romance - romance dos bons, daqueles que começam lentamente. Beijos.
Eu escrevo meu nome, que é Milton, e fico sempre sem!
Pronto, Milton. Acho que consegui consertar o problema.
beijo.
ufa! é lindo! é sinuoso, misturado, doce, forte. e agradeço os desejos de que a distância se dissolva e não haja melancolia. e não há. há desejo e distância... péssima combinação.
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