No dia em que vi o cavalo morto e os ipês, estava a ruminar a utilidade da escrita como verbo conjugado na primeira pessoa.
Eu escrevo! Ou poderia ser: eu escrevo. Ou ainda: eu escrevo...
Escrever presta-se à catarse de monstros, ao cultivo de nódoas, ao expurgo de pragas, ao relato do dia, à substituição da tela que não sabemos tingir como Miró.
Serve ao registro daquilo que merece endereço privilegiado na memória, contém equívocos e luz, nutre ou mata - como qualquer fármaco que varia do alívio à intoxicação - e ainda assim é sempre indispensável em algumas existências.
Eu escrevo. Cartas, contos, classes, comodidades e invenções, conforme a época, a cor do dia ou a agitação do sono. Escrevo mesmo que não digite ou rabisque sobre papel. Mentalmente redijo-me em fragmentos de estilos variados. As vezes dou-me por muito alegre com o rascunhado e imprimo riso vasto e passo firme entre tempêros e beijos.
quinta-feira, 13 de outubro de 2005
escrever é...
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Laura Paz
às
09:48
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2 comentários:
Acho que eu preciso de um gravador no carro. Eu escrevo muita coisa dirigindo sozinho.
Mas acho que temos um defeito de fabricação. Eu, ao menos, quando estou calmo, narro o que fiz, o que farei e invento coisas. Tudo é texto bem organizado.
Há algum psiquiatra que te visita neste blog? Melhor não.
Beijos.
Você escreve divinamente bem, minha linda! Não deixe nunca de nos brindar com sua escrita.
Um saudoso beijo.
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